Cáritas e CEPAC reforçam compromisso no acolhimento e integração de migrantes
A Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, acolheu, no passado dia 14 de março, o Encontro "A Igreja, Lugar de Esperança", uma iniciativa integrada na celebração do Jubileu dos Migrantes.
Durante o evento, foram assumidos quatro compromissos fundamentais para a integração dos migrantes, espelhados numa Carta de Compromisso disponível para ser assinada por todos, dentro e fora da Igreja. O CEPAC – Centro Padre Alves Correia e a Cáritas Diocesana de Lisboa assinaram também um memorando de entendimento para reforçar uma estratégia comum de apoio à comunidade migrante residente no Patriarcado de Lisboa.
O evento reuniu representantes de diversas organizações católicas e civis, comprometidas com a causa do acolhimento, proteção, promoção e integração das pessoas migrantes em Portugal.
Na sessão de abertura, o Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, sublinhou a necessidade de uma "ética do acolhimento", destacando que "o migrante é um dom que me é dado e que agradeço a Deus". O Patriarca enfatizou que a sociedade ocidental, e particularmente Lisboa, se define cada vez mais pela presença de migrantes, o que exige um compromisso renovado com a hospitalidade e a integração. "Migrantes somos todos nós", reforçou.
O encontro contou com testemunhos que evidenciaram a importância do apoio e solidariedade. Norina Sohail, estudante de Comunicação Social e Cultural da Universidade Católica e refugiada afegã, partilhou a sua experiência de adaptação a uma nova realidade e enalteceu o papel daqueles que a acolheram. "Se tiveres pessoas que acreditam na Humanidade e que não fazem diferença de religião e outras coisas, todos os desafios serão aceites e ultrapassados com um grande sorriso", afirmou.
A diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Eugénia Costa Quaresma, frisou a necessidade de ampliar o trabalho já desenvolvido pela Igreja e alertou que "estamos num ponto sem retorno: já não podemos pensar a Igreja sem migrantes". Na mesma linha, Pedro Góis, diretor do Observatório das Migrações, destacou a importância de acolher o outro, mesmo quando há grandes diferenças culturais e sociais.
O Jubileu dos Migrantes encerrou no dia 16 de março, na Basílica da Estrela, em Lisboa, com a entrega da Cruz do Jubileu da Caridade à Cáritas Diocesana de Lisboa, simbolizando o compromisso contínuo da Igreja com esta causa. A Cáritas e o CEPAC reforçam, assim, o apelo para um acolhimento digno e humano, num esforço conjunto para garantir a inclusão efetiva dos migrantes na sociedade portuguesa.